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Operação Ponto Final rastreou R$ 260 milhões em propina envolvendo a cúpula do setor de transporte do RJ. Presidente da Fetranspor e ex-presidente do Detro foram presos. No domingo, outro mandado foi cumprido, contra Jacob Barata Filho, detido no Galeão quando ia para Portugal.

A Polícia Federal realiza na manhã desta segunda-feira (3) mais uma etapa da operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Desta vez, o foco da ação é a cúpula do transporte rodoviário do estado. Os agentes estão nas ruas para cumprir oito mandados de prisão, dos nove que foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Duas prisões foram confirmadas: de Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor, e de Rogério Onofre, ex-presidente do Detro.

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Na noite de domingo (2), a força-tarefa da Lava Jato antecipou parte da operação e cumpriu o outro mandado de prisão, contra Jacob Barata Filho. Um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ao tentar embarcar para Lisboa, Portugal. O empresário já estava na área de embarque quando foi detido. A polícia suspeita que ele ficou sabendo da operação e tentava fugir. A defesa nega e diz que Jacob Barata Filho estava com passagem de volta de Portugal marcada para 12 de julho.

Presos confirmados:

- Jacob Barata Filho, empresário do setor de transportes

- Rogério Onofre, ex-presidente do Detro

- Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor

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De acordo com as investigações da Operação Ponto Final, foram rastreados R$ 260 milhões em propina pagos pelos investigados a políticos do estado. Não foram divulgados detalhes de como esses valores eram distribuídos.

Agentes também fazem buscas nas cidades de São Gonçalo e Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, e nos estados do Paraná e Santa Catarina.

Por volta das 6h30, agentes da PF entraram no apartamento de Lélis Marcos Teixeira, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor, que engobla 10 sindicatos do estado) e da Rio Ônibus (sindicato do município do Rio), na Lagoa, Zona Sul do Rio.

Lélis já havia sido levado em condição coercitiva em outra operação da Lava Jato e desta vez tem um mandado de prisão cumprido contra ele. Já preso, ele ficou até as 9h40 em sua casa com policiais buscavam documentos e outras provas. Foram apreendidos relógios, anéis, colares e HDs (discos rígidos para armazenar aquivos de computador), além de obras de arte, US$ 5,5 mil e mais uma quantia em reais.

Levado em um carro descaracterizado da polícia, Lélis chegou na sede da Superintendência da PF pouco antes das 10h, sem falar com jornalistas.

 

Prisão em Florianópolis

Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), foi preso em Florianópolis, segundo informações da TV Globo. Agentes da PF também cumprem mandados de busca e apreensão na capital de Santa Catarina e no Leblon, na Zona Sul do Rio, em imóveis ligados a Onofre.

Segundo investigações, pelas mãos de Onofre passaram pelo menos R$ 40 milhões em propina. Ele é advogado, ex-prefeito de Paraíba do Sul – com dois mandatos – e foi indicado em 2007 pelo então governador Sérgio Cabral, também preso na Lava Jato, para a presidência do Detro, órgão que fiscaliza o transporte intermunicipal no Rio. Em um perfil no Facebook sobre sua gestão, Onofre diz que recebeu autonomia total para combater o crime.

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Policiais federais também foram a um condomínio na orla da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para cumprir mandado de prisão contra José Carlos Lavoura, integrante do conselho da Fetranspor. Os investigadores, no entanto, receberam a informação de que ele está em Portugal. A PF vai acionar a Interpol para encomtrar Lavoura.

Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Sindicato de Empresas de Transporte Rodoviário do Rio de Janeiro, também teve a prisão decretada, assim como outras quatro pessoas que não tiveram a identidade divulgada.

 

Delações

A operação desta segunda-feira foi baseada nas delações premiadas do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes e do doleiro Álvaro Novis.

 

Empresário preso no Galeão

O empresário Jacob Barata Filho foi preso no aeroporto Tom Jobim, por volta das 23h30, tentava embarcar para Lisboa. De lá, os agentes o encaminharam para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio. O comboio da PF chegou ao IML às 23h50 e deixou o local cinco minutos depois, seguindo direto para a sede da Polícia Federal.

Jacob Barata Filho é um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio de Janeiro e foi preso pela força tarefa da Lava Jato, por volta das 21h, na área de embarque. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, com base em investigações do Ministério Público federal e da Polícia Federal que encontraram indícios que o empresário pagou milhões em propina para políticos do Rio.

A Polícia Federal estava monitorando o empresário e antecipou a prisão, que aconteceria nos próximos dias, quando foi informada que Jacob embarcaria para Portugal com passagem só de ida.

A filha do empresário, Beatriz Barata, embarcou no voo para Lisboa. Ela levava duas malas e, quando o pai foi preso, já estava dentro da aeronave. Sua bagagem foi retirada pela empresa aérea e inspecionada pelos agentes da PF. O próprio Jacob Barata Filho foi testemunha da revista realizada. Beatriz não saiu do avião e não foi informado se ela é investigada.

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O casamento de Beatriz com Francisco Feitosa Filho foi alvo de manifestações em 2013, época em que iniciaram protestos em todo o país – inicialmente devido ao aumento de R$ 0,20 das tarifas de ônibus. Manifestantes foram para a porta da festa luxuosa, no Copacabana Palace, e da cerimônia, na Igreja do Carmo, no Centro.

Houve confusão quando convidados lançaram notas de dinheiro sobre os presentes no protestos. Alguns chegaram a revidar com pedradas.

 

Filho do 'Rei dos Ônibus'

O pai do preso na noite deste domingo, Jacob Barata, atua no ramo dos transportes via ônibus no Rio de Janeiro há várias décadas. Ele é conhecido como "Rei do ônibus" e é fundador do grupo Guanabara, do qual Jacob Barata Filho também é um dos gestores. Várias empresas do conglomerado atuam no transporte de passageiros no Rio. Os negócios da família também já se estenderam para outras cidades, estados e meios de transporte.

 

O que dizem os citados?

Em nota, a defesa disse que o empresário Jacob Barata Filho estava com passagem de volta de Portugal marcada para 12 de julho, "ao contrário do que foi veiculado na imprensa". "Ele estava realizando viagem de rotina a Portugal, onde possui negócios há décadas e para onde faz viagens mensais. A defesa do empresário irá se pronunciar assim que tiver acesso aos autos do processo", explica a assessoria de imprensa.

O G1 entrou em contato com a assessoria da Fetranspor, mas até a última publicação desta reportagem não obteve resposta. A equipe de reportagem ainda não conseguiu contato com os outros citados.

 

Fonte: G1

 

 

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